domingo, 7 de fevereiro de 2010

New generation

helena

Estou triplamente orgulhosa: como chef, mulher e gaúcha. A revista Vogue americana traz uma matéria de quatro páginas, boa parte dela dedicada à nossa estrela Helena Rizzo. A chef do paulistano Maní impressionou o crítico gastronômico Jeffrey Steingarten (aquele que escreveu o delicioso “O Homem que Comeu de Tudo” – Cia. das Letras) com sua comida inventiva, mas sem exageros, e também com sua beleza e desenvoltura com que comanda seu restaurante.

“Ela tem o temperamento de uma artista (como sua mãe, pintora) e parece se comunicar por meio da comida ao invés de enxergar cada prato como um troféu”, é como o autor do texto descreve a presença de Helena na cozinha, ainda devidamente inebriado por delícias como o “ovo perfeito” – que Jeffrey achou perfeito mesmo; o melhor que já provou – e a feijoada desconstruída.

A Helena, que vi florescer na carreira, merece todo esse reconhecimento e os prêmios que vem ganhando. O último foi a de chefe do futuro, dado pela Académie Internationale de la Gastronomie, em Paris. Um orgulho para o país, onde a nova safra de talentosos chefs tem sabido unir, como em nenhum outro lugar, aquilo que é tendência no mundo todo com os ingredientes e costumes locais. Parabéns, Helena! Longa vida ao Maní!

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 22:00

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

De repente, Califórnia

california

Fazendo link com as minhas mais recentes experiências culinárias na terra do Obama, passo a palavra para a minha amiga e chef Gabriela Guedes, que mora na charmosa Carmel, pertinho de São Francisco, na Califórnia, e vive atrás de ingredientes e lugares diferentes. Líder do movimento slow food na região e dona do bistrô Gabriela’s Feast (homenagem ao filme A Festa de Babette), onde recebe só convidados, ela ficou de me enviar uma listinha (que virou listona) das coisas novas, fáceis e divertidas que ela compra, principalmente no Whole Foods, um supermercado especializado em produtos naturais e orgânicos de excelente qualidade. Olhem só o que essa professora de cozinha, que dá até aula de etiqueta, me passou:

Peppadew - uma pimenta em conserva sul-africana que eles vendem por quilo na parte de queijos do Whole Foods. É uma delícia como aperitivo e dá para inventar trocentas coisas com ela ou comer pura. É bem docinha e bem pouco picante.

Il boschetto ai tartufo – o queijo com trufas que eu gosto de servir com um fio do mel de trufas brancas Lulu. É maravilhoso!

Raincoat crisps – torradas excelentes. As duas melhores são as de figo e azeitona (essa é a que eu mais gosto), e a de alecrim, uva passa e nozes pecan. Servida com um queijo Fourme d’ambert e uma salada de agrião, é um almoço dos deuses.

Falando nisso, vale a pena experimentar o agrião hidropônico que eles têm aqui. Completamente diferente do nosso. Muito gostoso.

Red pepper jelly da Stonewall Kitchen – Com uma bandeja de queijinhos, pimentas e essa geleia, a vida fica linda. Mas, se estiver audaciosa, faça uns belos camarões, passados numa milanesa com coco ralado, frite e sirva com essa geleia. Prometo que é de comer rezando.

Kumamoto oysters, aqui da Hog Island, em San Francisco. São as melhores ostras: docinhas, pequenininhas, supercrocantes, como manda o figurino. Ficam maravilhosas só com um toque de limão siciliano e uns flocos de cypress flaky salt (eu acho o gosto bem mais puro e crocante do que flor do sal).

Se você gosta de dry martinis, experimenta fazer um com um gin que se chama Juniper (se não achar, o da Beefeater também é excelente) e uma azeitona recheada com blue cheese (também da seção de queijos do Whole Foods).

Está na época dos caranguejos (tem king crab, snow crab e especialmente dungeness crab. Nem preciso te recomendar, mas com um molhinho de manteiga – de preferência a irlandesa Kerrygold (também no Whole Foods) – ciboulette e vodca, é só correr para o abraço.

Molho de tomate – o único que presta é o do Rao’s. Molho de tomate aqui nos Estados Unidos é de chorar (se bem que molho pronto em qualquer lugar não é exatamente um manjar, mas aqui é de morte…)

Um iogurte feito com leite integral di-vi-no é o da Traders Point Creamery, que vem em garrafa de vidro. De manhã, com um fio de mel de trufas e algumas nozes, é garantia de energia para o dia todo. Campeão de audiência!

Dentro dos leites integrais, a ricota artesanal da Calabro também é excelente.

E, por último, gosto muito de umas “tortas” espanholas (spanish sweet olive oil tortas), que são uns biscoitos bem finos, açucarados, feitos com azeite. É como um snack doce.

Quis muito fazer essa lista porque me lembro da minha chegada aqui, passeando pelo supermercado, mais perdida que a Sarah Palin em uma biblioteca. Claro que é uma delícia descobrir sozinha, mas eu sempre pensava: seria tão bom se alguma outra chef me dissesse alguns segredinhos, ao invés de eu ter que experimentar tudo isso aqui para ver o que é bom e o que nao é…

Gaby, querida, essa lista vai fazer a minha alegria na minha estadia por aí e tenho certeza que despertou a curiosidade de muita gente que lê este blog. Se depender de nós, vai haver fila preferencial para brasileiros no Whole Foods. Obrigada!

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 21:59

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Explorando a América – uma cozinheira em NY


Uma das melhores maneiras de conhecer uma cidade é viver como local, ter experiências reais, da vida (ordinária) como ela é: ir ao supermercado, à lavanderia, cozinhar em casa e, no final de semana, beber um bom vinho. No fim de semana passado, após uma quinzena em Nova York, naquela América nem tão ordinária assim, tomei como deliciosa obrigação prestigiar os vinhos locais.

A Califórnia pode se gabar, pois tem hoje um dos vinhos mais caros do mundo – o Screaming Eagle – e também um lugar especialissímo: o Russian River Valley, que produz os melhores Pinot Noir do estado, muito parecidos no estilo com os vinhos feitos na Borgonha, na França. A região produz vinhos (que não precisam provar mais nada para seus irmãos do velho mundo) e ingredientes gourmets feito gente grande.

Provei o Caymus Cabernet Sauvignon 2007, comprado em uma Liquor Store de esquina, por oitenta dólares. Não é do River Valley, mas é um velho conhecido meu. Apesar de ser novo, estava excelente, e com esse preço… No Brasil, um equivalente custa em média o dobro. Na Mistral, que importa o rótulo, ele sai por R$ 278. Me pergunto porque nós brasileiros precisamos pagar tão caro (por causa dos altos impostos) para beber um bom vinho? Vinho no Brasil é considerado “hard liquor” (álcool pesado), diferentemente de muitos países, e por isso é altamente taxado, o que pra mim não faz sentido algum.

Para acompanhar a iguaria, testei algumas receitas para o meu novo livro, que sai do forno do Carlota em maio deste ano: o DEZ X DEZ, da editora Leya. Fui ao Dean Delucca comprar um arroz italiano  Vialone Nano de Piemonte, um bom azeite, um punhado de cogumelos frescos variados (portobello, porcinis, shitakes), alho, cebola, caldo, vinho Riesling austríaco – luxo, só para cozinha de chef! –, manteiga e parmesão para fazer o risoto da receita aí embaixo. E foi um verdadeiro banquete, feito e devorado em família! Para a sobremesa, fiz no forno umas maçãs ”honey crisp apples”, com farofa de amêndoas, canela e açúcar de maple granulado. Cheirou o prédio inteiro… Dá para sentir o cheiro por aí também?

Risoto de cogumelos Alphabet City

Ingredientes para 4 pessoas
100 g de arroz vialone nano
200 g de cogumelos frescos picados feito petit-pois
50 g de manteiga
1 dente de alho amassado
1 cebola pequena picada
sal, pimenta e salsinha picada
50 g de parmesão
1 xícara de vinho branco Riesling
caldo de frango, o suficiente para finalizar o risoto

Preparo
Derreta a manteiga e doure a cebola e o alho, acrescente o arroz e o vinho até evaporar. Aos poucos, vá colocando o caldo bem quente, mexendo de tempos em tempos. Quando o arroz começar a ficar no ponto de cozimento, coloque os cogumelos, a manteiga e o queijo, e um pouco do caldo para emulsionar e ficar com uma textura aveludada.
Prove o sal, coloque pimenta-do-reino fresca e salsinha. Sirva em pratos fundos uma quantidade igual a duas colheres de risoto por pessoa.

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 09:42

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