quinta-feira, 28 de maio de 2009

Filmes comestíveis

O próximo passo da minha odisseia porto-alegrense já tem data marcada e será o tipo de evento que quem acompanha este blog sabe que é a minha cara: uma ocasião deliciosa para nutrir com capricho tanto o corpo quanto a mente. No próximo sábado, dia 30 de maio, é minha vez de tocar o bacaníssimo projeto “Mesa de Cinema”, no Santander Cultural.

A ideia é tão simples quanto sensacional: uma inspiradora sessão de cinema exibe um filme que, de alguma forma, tem a comida como personagem importante. Depois do cineminha matinal e de um debate, partem todos para um restaurante, onde se prepara um almoço – acompanhado de muito bate-papo, por supuesto – que passeia pela culinária mostrada no filme.

Acompanhada da dupla infalível Carolina Brandão e Carlos Siffert, além de Fernanda Azevedo (do La Pulpería), nós vamos assistir a O Segredo do Grão. O título original em francês é La Graine et le mulet, “o grão e a tainha”, dois dos ingredientes do cuscuz marroquino (ou que nós, por aqui, chamamos de marroquino, mas que é igualmente típico na Argélia, na Líbia, na Tunísia…). De certa maneira, o prato é o fio condutor da história. A produção rendeu quatro prêmios César, o mais importante do cinema francês.

O protagonista do filme, o Sr. Slimani, é um sujeito de 60 anos, claramente maltratado pelo cansaço da vida que leva trabalhando duro no porto francês de Sète. Divorciado, sem grana, desmotivado, tudo o que ele quer da vida é abrir seu próprio restaurante (mal sabe ele!), apesar de aparentemente estar léguas distante de poder fazer isso. O enredo tragicômico gira em torno desse sonho, que Slimani divide com sua família. E a partir daqui já não falo mais nada! Só que é um filme que vale a pena e que foi minha musa para um almoço gostosíssimo!

Abaixo um aperitivo de O Segredo do Grão

http://videolog.uol.com.br/video.php?id=346449

Quem quiser ter mais informações pode acessar a página do Mesa de Cinema que eu linkei ali no início ou o blog deles.

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 21:37
terça-feira, 26 de maio de 2009

Luzes, câmeras, panelas, ação!

Para a alegria de quem vive de cozinhar, como eu, o ato de se preparar uma comida deixou de ser apenas questão de sobrevivência ou obrigação do lar. Cada vez mais o mundo valoriza e desfruta da sensação mágica que é sair de um ponto de partida prosaico e meio sem significado – os ingredientes – e, por meio do conhecimento de texturas, processos, sabores e temperaturas, chegar a combinações novas e complexas. Numa era em que se descobre potencial midiático em quase tudo, os cozinheiros se tornaram uma atração por conta desse caráter meio alquimista, para não dizer artístico mesmo, que nosso trabalho tem.

E, então, quando alguém liga uma câmera e registra com qualidade um cozinheiro em ação, é como se estivesse acompanhando o nascimento de uma obra de dentro do próprio ateliê; como se gravasse um making of de uma superprodução. Com a diferença que o processo de criação culinário pode – e deve – ser reproduzido, mesmo que parcialmente ou com adaptações, no dia-a-dia de quem assiste.

A popularização dessa maneira de enxergar o cozinhar como um prazer e uma arte revolucionou o conceito de “programa culinário”. Foi-se muito além do tradicionalíssimo estilo das receitas caseiras, preparadas objetivamente, passo a passo, para que as donas de casa engordem seus caderninhos de opções para o jantar. Nada contra esse formato tradicional, de verdade: existe público cativo para ele, e isso é ótimo. Mas o fato é que existem incontáveis maneiras de explorar a presença de um cozinheiro em cena: desde a superdesnecessária falta de educação premeditada de Gordon Ramsay, que é a base do reality show Hell’s Kitchen, até as ocasiões em que o bate-papo paralelo tem tanta importância quanto a receita em si, como no delicioso Menu Confiança, do Claude Troisgros, passando pela doçura meio sensual da Nigella. Em alguns países, como na Espanha, já existem canais com a grade inteirinha dedicada a programas rodados dentro da cozinha – cada um com um estilo e uma proposta completamente diferentes do outro.

Esse crescimento do interesse e a profusão de ideias diferentes sobre como transformar o cozinhar em espetáculo audiovisual só poderia acabar levando para um lugar: a internet. É a plataforma ideal para que o público, como quem folheia um cardápio, escolha exatamente a culinária e a abordagem que mais lhe interessa. Até pouco tempo atrás, a principal opção era fuçar o YouTube até escavar uma das tantas pérolas que vivem escondidas por lá, mas agora a tendência já começa a se organizar e surgem iniciativas muito bacanas como o recém-lançado Vamos Cozinhar, um vídeo-site dedicado exclusivamente a exibir programas de culinária, de um jeito divertido e bem produzido.

Claro que eu não iria desandar a dizer isso tudo, celebrar as possibilidades de tratar de culinária e gastronomia em vídeo e ficar de braços cruzados, como se não fosse comigo, não é mesmo? Dentro de alguns meses eu também estarei no ar! Eu e o coletivo Idéia Forte já estamos tocando em frente o projeto Carlota Prenda Minha: serão videocasts contando as descobertas culinárias que eu farei Brasil afora, sempre tentando juntar o trabalho feito na cozinha com tudo aquilo que o rodeia: o conhecimento, as pessoas, as tradições, a História… Enfim, semana que vem já devo estar em Santa Catarina fazendo pesquisas e prometo que logo mais vêm mais notícias, ok?

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 11:52
sábado, 23 de maio de 2009

Qual o estilo?

A minha passagem por Porto Alegre foi mais do que bem aproveitada. Além de cozinhar no Gastro-pop e rever pessoas muito queridas, fui ao lançamento da edição número 51 da excelente revista Estilo Zaffari, no restaurante Hashi.

Editada pelas fascinantes Milene Leal e Izabella Boaz, a publicação traz uma matéria bem legal sobre toy art, dicas de viagem, fotos incríveis da Cris Berger em Los Cabos, no México, e – voilà – a minha nova coluna Qual o sabor?. O entrevistado da estreia foi meu conterrâneo Marcos Muccillo Daudt, que já fez e faz mil coisas (homem multimídia!!!). Entre suas atividades, Daudt dedica-se a coordenar o necessário Instituto Ficar, do qual já falei por aqui. Ele respondeu com muito bom humor (e sinceridade) às minhas perguntas sobre vida, sabores e cozinha.

Olhem só as fotos do coquetel de lançamento!

Milene Leal, Marcos Dadut e Izabella Boaz

Milene Leal, Marcos Muccillo Daudt e Izabella Boaz


Marcos Daudt y Yo

Marcos Muccillo Daudt y Yo

Além disso, na seção Sabor, a Beatriz Guimarães descreveu a nova cozinha brasileira e deu um gostinho especial ao texto, com receitas de pratos de padrão internacional com ingredientes bem brasileiros, criadas pelos chefs Alex Atala, Ana Luiza Trajano, Roberta Sudbrack e eu, que selecionei para os leitores da revista essa receita de robalo grelhado com purê de banana-terra e aspargos na manteiga. Aproveitem!

Robalo grelhado com purê de banana-da-terra e aspargos na manteiga

Ingredientes
Robalo grelhado
1,5 kg de filé de robalo com pele em 6 porções
Sal, pimenta e azeite extravirgem

Purê de banana-da-terra
15 bananas-da-terra bem maduras
3 colheres (sopa) de açúcar mascavo
2 colheres (sopa) de manteiga
Sal e pimenta

Aspargos na manteiga
12 aspargos verdes frescos
1 colher (sopa) de manteiga
Sal e pimenta

Crisps de couve
2 maços de couve-manteiga fatiada muito fina e bem seca
Sal e óleo de milho para fritar

Modo de fazer o robalo:
Tempere as porções com sal e pimenta, grelhe no azeite.

Modo de fazer o purê:
Cozinhe as bananas em panela de pressão por aproximadamente 40 minutos após pegar pressão. Resfrie e descasque-as. Em uma panela à parte, derreta a manteiga, junte o açúcar e acrescente as bananas. Mexa bem em fogo médio para que as bananas desmanchem. Cozinhe até secar o excesso de líquido que irá se formar. Acerte o sal e a pimenta a gosto, para que o purê não fique completamente doce.

Modo de fazer os aspargos:
Fatie os aspargos finamente na diagonal. Aqueça uma frigideira, derreta a manteiga, junte os aspargos e salteie-os até macios. Acerte o sal e a pimenta.

Modo de fazer os crisps:
Aqueça um pouco de óleo em uma frigideira, mas não muito quente. Vá colocando a couve em pequenas porções e fritando até ficar bem sequinha. Espalhe em papel absorvente, salpique sal a gosto.

Montagem:
Em prato oval, coloque um montinho de crisps de couve e a porção de robalo grelhada com a pele para cima sobre ele. Disponha 2 colheres (sopa) do aspargo grelhado sobre o peixe e sirva o purê em uma panelinha de cerâmica ao lado do peixe, no mesmo prato. Decore com um fio de azeite de ervas.

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 11:54