sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Tem um mouse na cozinha

É muito fácil se perder pesquisando na internet. Às vezes até me esqueço qual era o objetivo da busca e fico pulando de site em site, vagando entre notícias interessantes, fotos, vídeos etc. Numa dessas viajadas, acabei parando no site da Microsoft para ler uma matéria sobre a utilidade de ter um computador na cozinha. O texto é antigo (foi publicado em 2004), mas com a nova onda dos netbooks acho que ele ainda vem bem a calhar.

Sharon Crawford, especialista na área de informática, conta lá por que decidiu ter um laptop na cozinha da sua casa. Algumas das coisas que ela cita como vantagens de se ter um computador próximo do fogão: procurar receitas na internet e visualizá-las sem correr o risco do seu livro favorito de receitas ficar todo manchado, incluir os ingredientes que estão faltando na lista de compras salva no excel (antes de sair do lado da geladeira e acabar esquecendo disso) e poder olhar os emails ou a previsão do tempo ao invés de ficar vendo a água da chaleira ferver. Além disso, ela dá dicas técnicas de configurações e de como resolver o problema de interferência com os outros “habitantes” da cozinha, os eletrodomésticos.

Fiquei pensando e acrescentaria mais algumas vantagens à lista da Crawford:

1- fazer compras online. Uma ótima opção é o Pão de Açúcar Delivery, onde você pode ordenar os produtos por preço, por marca e até mesmo importar o arquivo da sua lista de compras para que o site transforme as palavras em links para os produtos.

2- ouvir música enquanto cozinha. Na Mitsubishi FM, assim como nas principais rádios do país e do exterior, dá para escutar a programação ao vivo ou montar uma playlist. No Blip.fm, você pode procurar por uma música e ouví-la (sem ter que baixar o arquivo no seu computador), achar Djs que toquem seu estilo favorito ou até bancar você mesmo o DJ.

3- assistir a vídeos temáticos. No YouTube dá para achar milhões de dicas, receitas e curiosidades do mundo da gastronomia. É só digitar uma palavra-chave, selecionar bem (tem muita porcaria também) e assistir. No Vamos Cozinhar, dá pra ver o passo-a-passo de várias receitas, pela mãos de chefs brasileiros, com imagens bem de pertinho dos resultados, para você poder comparar com o que está fazendo. A revista Prazeres de Mesa também tem boas vídeo-receitas

E você, como tem aproveitado os recursos da internet na sua cozinha?

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 10:21
quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Quem é você?

Os que acompanham este blog e principalmente os que interagem com ele já sabem que respondo a quase todos os comentários. É por eles que eu acabo tendo uma ideia de quem são meus leitores, o que eles estão achando do blog e quais os temas que geram mais interesse.

Mas, para ter um perfil um pouco mais objetivo dos leitores do blog, coloquei aí do lado, no menu à direita, uma enquete para saber qual a faixa etária e o sexo de quem me faz companhia por aqui. Até agora, 40% dos que responderam à enquete são mulheres de 20 a 40 anos, seguido de 26% de mulheres de 40 a 60 anos. Olha lá o resultado geral.

O blog serve também pra mim como um canal de comunicação com pessoas do Brasil todo (e até de outros países!), que muitas vezes ainda não tiveram a oportunidade de experimentar minhas receitas, mas me conhecem dos livros, dos jornais ou de ouvir falar e acabam entrando aqui para saber o que escrevo.

Muitos se surpreendem que o blog não é só de receita e também não se restringe à gastronomia. Claro que o comer guia meus pensamentos e não podia ser diferente, mas adoro mesmo postar quando vejo, leio, experimento ou pesquiso algo que me faz ir além.

***

No último post falei bastante do Peru, da minha viagem e acho que acabei deixando vocês com vontade de experimentar o ceviche. Nada mais justo então do que passar uma receita do livro “Carlota – Balaio de Sabores”: o ceviche de linguado. É fácil de fazer e os ingredientes são bem acessíveis. A receita rende 6 porções.

Ceviche
- 750g de filé de linguado, cortado em tirinhas
- suco de 1 limão siciliano
- suco de 2 limões verdes
- 1/3 de xícara de saquê kirin
- sal
- ½ colher (café) de tabasco
- 1/3 de xícara de pimentão amarelo finamente fatiado
- 1/3 de xícara de pimentão vermelho finamente fatiado
- 1 cebola roxa finamente fatiada
- azeite extravirgem

Deixe a cebola marinando em 2 colheres (sopa) de azeite e 4 colheres (sopa) de água gelada por 2 horas, antes de usá-la.
Misture o suco dos limões com o saquê, tempere com sal e tabasco.
Arrume as tirinhas de peixe em um prato, cubra com as fatias de pimentão e a cebola. Regue com o limão e sirva 20 minutos depois acompanhado das blinis de batata.

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 16:53
domingo, 23 de agosto de 2009

Próxima parada: Lima!

Se aqui no Brasil a história da imigração japonesa começou com o Kasato Maru, que em 1908 transportou o primeiro grupo de famílias do Japão para o porto de Santos, foi outro barco, o Sakura Maru, o responsável por levar quase 800 pioneiros japoneses para o Peru, em 1899.

Assim como aconteceu no interior de São Paulo, os japoneses foram contratados para um trabalho árduo nas fazendas da costa central do Peru. A influência dos nikkei (imigrantes e descendentes japoneses que vivem fora do Japão) na cultura criolla peruana começou a ser sentida com o fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota dos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), quando eles foram perseguidos e obrigados a se misturar aos locais, principalmente em Lima.

O sincretismo aconteceu inclusive na gastronomia e nas últimas décadas tem tido uma influência muito grande num prato tipicamente peruano, conhecido no mundo todo: o ceviche – um marinado feito basicamente com peixe, limão, cebola roxa e pimenta.

Não é muito difícil imaginar o porquê: com 2.500 quilômetros de costa no Pacífico, o Peru tem à disposição uma incrível oferta de peixes de primeira qualidade – assim como no Japão. As habilidosas mãos japonesas logo introduziram o estilo sashimi de cortar o peixe, a utilização de várias espécies de pescados e mariscos e a cuidadosa apresentação. Surgiu assim a base da comida nikkei peruano-japonesa, que resultou em pratos inovadores e se popularizou rapidamente na capital do país.

“La Buena Muerte” é um dos restaurantes precursores dessa comida. No livro “Rutas y Sabores del Cebiche”, Mariano Valderrama conta que lá se servia um cebiche a la nipona, em que o peixe aparecia quase cru. Mas o melhor exemplo da influência japonesa na comida peruana é o tiradito, que é muito parecido com o ceviche, mas tem um corte de peixe mais ao estilo japonês, leva aipo e não tem cebola.

Estou contando as horas para provar algumas variações de ceviche (inclusive o tiradito) e me sentir um pouco como os nikkeis, mesclando minhas experiências com as dos peruanos. No domingo, viajo para Lima a convite dos chefs Miguel Hernandez e Coque Ossio. De 27 a 29 de agosto, eu, a Carol Brandão e o Carlos Siffert (CCC, sempre!) faremos jantares especiais, com ingredientes típicos do Peru e do Brasil, no restaurante “Gambas”, do Miguel. Esperem pelos próximos posts com novidades de lá!

POSTADO POR CARLA PERNAMBUCO ÀS 15:21