Luzes, câmeras, panelas, ação!

Para a alegria de quem vive de cozinhar, como eu, o ato de se preparar uma comida deixou de ser apenas questão de sobrevivência ou obrigação do lar. Cada vez mais o mundo valoriza e desfruta da sensação mágica que é sair de um ponto de partida prosaico e meio sem significado – os ingredientes – e, por meio do conhecimento de texturas, processos, sabores e temperaturas, chegar a combinações novas e complexas. Numa era em que se descobre potencial midiático em quase tudo, os cozinheiros se tornaram uma atração por conta desse caráter meio alquimista, para não dizer artístico mesmo, que nosso trabalho tem.

E, então, quando alguém liga uma câmera e registra com qualidade um cozinheiro em ação, é como se estivesse acompanhando o nascimento de uma obra de dentro do próprio ateliê; como se gravasse um making of de uma superprodução. Com a diferença que o processo de criação culinário pode – e deve – ser reproduzido, mesmo que parcialmente ou com adaptações, no dia-a-dia de quem assiste.

A popularização dessa maneira de enxergar o cozinhar como um prazer e uma arte revolucionou o conceito de “programa culinário”. Foi-se muito além do tradicionalíssimo estilo das receitas caseiras, preparadas objetivamente, passo a passo, para que as donas de casa engordem seus caderninhos de opções para o jantar. Nada contra esse formato tradicional, de verdade: existe público cativo para ele, e isso é ótimo. Mas o fato é que existem incontáveis maneiras de explorar a presença de um cozinheiro em cena: desde a superdesnecessária falta de educação premeditada de Gordon Ramsay, que é a base do reality show Hell’s Kitchen, até as ocasiões em que o bate-papo paralelo tem tanta importância quanto a receita em si, como no delicioso Menu Confiança, do Claude Troisgros, passando pela doçura meio sensual da Nigella. Em alguns países, como na Espanha, já existem canais com a grade inteirinha dedicada a programas rodados dentro da cozinha – cada um com um estilo e uma proposta completamente diferentes do outro.

Esse crescimento do interesse e a profusão de ideias diferentes sobre como transformar o cozinhar em espetáculo audiovisual só poderia acabar levando para um lugar: a internet. É a plataforma ideal para que o público, como quem folheia um cardápio, escolha exatamente a culinária e a abordagem que mais lhe interessa. Até pouco tempo atrás, a principal opção era fuçar o YouTube até escavar uma das tantas pérolas que vivem escondidas por lá, mas agora a tendência já começa a se organizar e surgem iniciativas muito bacanas como o recém-lançado Vamos Cozinhar, um vídeo-site dedicado exclusivamente a exibir programas de culinária, de um jeito divertido e bem produzido.

Claro que eu não iria desandar a dizer isso tudo, celebrar as possibilidades de tratar de culinária e gastronomia em vídeo e ficar de braços cruzados, como se não fosse comigo, não é mesmo? Dentro de alguns meses eu também estarei no ar! Eu e o coletivo Idéia Forte já estamos tocando em frente o projeto Carlota Prenda Minha: serão videocasts contando as descobertas culinárias que eu farei Brasil afora, sempre tentando juntar o trabalho feito na cozinha com tudo aquilo que o rodeia: o conhecimento, as pessoas, as tradições, a História… Enfim, semana que vem já devo estar em Santa Catarina fazendo pesquisas e prometo que logo mais vêm mais notícias, ok?

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One Response to “Luzes, câmeras, panelas, ação!”

  1. Manuel Alves Filho Says:

    Que boa nova, Carla! Já estou na expectativa. Toda sorte na nova empreitada.

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