A cegueira é de quem?

De quando em quando, apareço por aqui com algum assunto que não chega nem perto da gastronomia. Desculpem-me, mas é inevitável: antes de chef, sou cidadã e aproveito os espaços que tenho para cumprir o que considero uma obrigação moral.

Semana passada tomei conhecimento de um protesto que um grupo de cegos, professores e entidades de assistência aos deficientes visuais realizaram no Congresso Nacional. A denúncia que eles fizeram chegar ao presidente do Senado, José Sarney, e que, espera-se, será agora devidamente esclarecida pelo Ministério da Educação (MEC) é absolutamente aviltante.

Os manifestantes contam que há dois anos o MEC simplesmente parou de produzir livros didáticos em braile, o que impossibilita algo que está na Constituição Federal: a garantia de condições de ensino para os deficientes visuais iguais às do restante da sociedade. São mais de 8 mil alunos com esta deficiência matriculados nas escolas brasileiras, sendo que 6,5 mil, em escolas públicas.

As autoridades garantem que a história não é bem essa e que tudo será averiguado e resolvido imediatamente. Só que são tantos e tantos os casos em que escutamos isso e tudo permanece exatamente como antes que eu recomendo: continuemos acompanhando o caso de perto. Como acontece com quase todas as questões no Brasil, a legislação existe, impecável. Falta aos responsáveis colocar as mãos à obra e fazê-la ser cumprida.

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One Response to “A cegueira é de quem?”

  1. Lígia Verdi Says:

    Querida Carla,

    Como mãe de um menino cego de 17 anos, queria agradecer-lhe pela divulgação de nosso movimento no seu blog.
    Hoje em dia, temos no Brasil uma legislação avançadíssima no que diz respeito aos direitos das pessoas com necessidades especiais, no entanto, faltam políticas públicas de implementação dessas leis.
    A inclusão de um estudante com necessidades especiais na sala de aula é perfeitamente viável, basta que lhes ofereçam as condições adequadas (material didático transcrito para o Braille, por exemplo) para que possam ter acesso ao currículo, como qualquer outra criança. A Constituição garante o direito ao ensino a qualquer criança, por que com os nossos filhos amados terá de ser diferente?
    Beijos, querida, e muito obrigada!

    Lígia

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