Doce das Pirâmides

Outro dia, ouvindo a rádio Mitsubishi FM no carro, peguei um boletim interessante da arqueóloga Flávia Haddad. Assim como eu faço com gastronomia, a Flávia – que não conheço pessoalmente – vai ao ar diariamente em diversos horários falando sobre História. Nesse dia, ela contava que a palavra pirâmide, usada para designar as famosas construções egípcias, tem sua origem em um doce grego chamado piramidis.

É claro que essa informação me aguçou a curiosidade. Cheguei em casa direto para a estante onde eu sabia que tinha algo ligado ao assunto. Mas não era, como eu imaginava, nada que falasse sobre o doce grego (cuja história ainda vou pesquisar e contar pra vocês). Na verdade, minha memória estava me conduzindo a um livro publicado pelo Senac em 2005 chamado “História da Cozinha Faraônica: a Alimentação no Egito Antigo” , do egiptólogo Pierre Tallet. Eu havia folheado a edição na época em que saiu, mas naquele dia tive que largar a bolsa em algum canto e me acomodar na poltrona. E li quase de uma tacada só.

Tallet faz um raio-x da civilização dos Faraós sob a perspectiva dos alimentos. O mais interessante é que, por meio da interpretação de desenhos,

o livro recupera (grosso modo, claro) receitas do Egito antigo. “Ainda que as fontes de que dispomos não nos ofereçam receitas complexas e refinadas, elas acentuam o gozo estético que a acumulação de alimentos traz em si. Talvez seja por isso que o estudo da cozinha egípcia seja um dos melhores guias para o estudo da mentalidade profunda desse povo”, explica o historiador na introdução.

O regime alimentar variava muito, tanto de acordo com a situação econômica – os camponeses, por exemplo, representavam 90% da população e não podiam comer carne frequentemente – quanto por conta das cheias do rio Nilo, que influenciava diretamente as colheitas. De um modo geral, o trigo tinha um papel importante e, além da cerveja, há registros de várias receitas de pães. Havia também uma grande variedade de doces, em que eram utilizados ingredientes como mel, tâmara, passas ou xarope de frutas.

E para não ir tão longe do assunto que me levou a escrever esse post – o doce grego chamado piramidis –, vou contar para vocês uma receita deliciosa de um doce grego que está no meu livro As Doceiras: rolinho de Frutas Secas e Mel.

Rolinhos de Frutas Secas e Mel
Ingredientes para o xarope
¾ de xícara de mel
1 ½ xícara de água
2 ½ xícaras de açúcar
Suco e raspa de 2 laranjas
1 canela em pau

Ingredientes para os rolinhos
200 g de nozes torradas picadas
160 g de amêndoa torrada picada
140 g de pistache torrado picado
6 folhas de massa filo de 40 cm x 30 cm
Manteiga derretida para pincelar
2 ovos batidos com um pouco de água para pincelar
Iogurte natural para acompanhar

Preparo do xarope
Em uma panela, ferva todos os ingredientes até atingir o ponto de calda rala (quando começa a brilhar). Misture e deixe esfriar.

Preparo dos rolinhos
Misture as nozes, a amêndoa e o pistache e divida em 12 porções. Coloque uma folha de massa na bancada, pincele manteiga e ovo batido. Divida a massa ao meio, formando folhas de 20 cm x 30 cm. Espalhe uma porção de frutas secas sobre a massa, deixando 1 cm de borda na lateral inferior. Enrole a massa formando um rolinho, pincelando com manteiga e ovo conforme for enrolando para selar bem. Pincele o rolinho já pronto com manteiga e ovo e coloque em uma assadeira com silpat (placa de silicone) ou em uma assadeira comum untada e forrada com papel-manteiga também untado. Repita o procedimento até acabar o recheio. Leve 150°C e asse até dourar. Corte os rolinhos em pedaços de 8 cm e mergulhe-os no xarope por uma noite. Não leve à geladeira. Sirva os rolinhos com iogurte. Rende 08 porções.

E também selecionei uma receita do livro “História da Cozinha Faraônica: a Alimentação no Egito Antigo”. Mas só a título de curiosidade, heim!? Se alguém se arriscar, depois me conta o resultado!

Receita dos Faraós – Torta de tâmaras com mel
Ingredientes
Polpa de tâmaras
Mel
Gordura de boi

Preparo:
Misturar a polpa de tâmaras com água e bater até obter uma massa líquida.
Colocar numa frigideira, levar ao fogo para esquentar e misturar a essa massa líquida o mel e a gordura de boi, dando-lhe então a forma de torta.
Preparada no ponto certo, essa torta, depois de cozida, adquire a consistência de massa sólida. Consumir ao longo do dia.

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9 Responses to “Doce das Pirâmides”

  1. Flavia Haddad Says:

    Oi Carla ! Fiquei feliz com seu interesse na civilização egípcia. Por conhecidencia, o egiptólogo Pierre Tallet foi meu professor na Sorbonne no curso de egiptologia !
    Caso vc queira informações sobre o Egito antigo me escreva e conversaremos com o maior prazer !
    Bonne journée !!!
    Flávia Haddad
    flaviahaddad@free.fr

  2. Liana Gottlieb Says:

    Carlota, vou tentar fazer o seguinte: em vez de gordura de boi, que não como nem morta, vou tentar fazer com côco fresco ralado. O que você acha disso? Será que ficará bom?
    Bem, tenho inventado várias receitas lights, diets e naturais (de preferência orgânicas) que têm sido um sucesso.

    É a primeira vez que entro no seu site/blog e gostei.
    Só comi uma vez no seu restaurante e gostei muito – era um risoto de cogumelos secos com pato. (acho que foi isso) e depois a sobremesa deliciosa de goiaba.
    Não pedi o couvert senão não sobra lugar para a comida.

    Abraço, Liana Gottlieb.

  3. Liana Gottlieb Says:

    Ops, desculpe, eu a chamei de Carlota.
    Liana.

  4. carla Says:

    Liana,td bem?benvinda!
    A receita do livro das doceiras é muito boa,tente esta!
    abs,
    Carla

  5. Simone Says:

    Olá,
    iniciei um blog e gostaria de postar trechos do seu artigo sobre a profissão de chef. Existe algum impedimento?
    abs
    Simone

  6. carlota Says:

    Nenhum problema,so pedimos o credito!abs,Carla

  7. alfeu luis Says:

    Carla fiz o doce, mas com uma modificação que acho que foi o que os egipcios queriam dizer ( É preciso tomar muito cuidado com essas traduções antigas elas muitas vezes não podem ser tomadas ao pé da letra). Eu substituí a “gordura” de boi pelo mocotó e ficou divino, com um sabor muito exótico e as pessoas não conseguiam saber do que era feito. Abraços !!!!

  8. walter uhle filho Says:

    Eu tinha uma tia que fazia receita de mocotó com vinho, canela, cravo e, certamente, açúcar. Depois, colocava em copos e nós o comíamos com colher…Mas não tenho como reaver essa receita. Alguém pode mandar para mim?

    Quanto à sua torta de tâmaras, creio que o Alfeu Luís tem razão. Com mocotó, o doce deve ficar explêndido!
    Saudações
    Walter Uhle Filho

  9. carlota Says:

    Eu lembro da geléia de mocotó que dava para meus filhos quando eram pequenos!eu sempre roubava um pouquinho..rscrsc
    abs,
    Carla

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