Um sonho movido a álcool

Não é todo dia que a gente atravessa cortinas de veludo vermelho. A experiência começa aí, com um certo frisson de não saber o que vai encontrar do outro lado. Um alto e bom som surpreende os ouvidos (como é que não transborda pra fora?) e a visão precisa ser aprumada para entender onde se está pisando. Um balcão iluminado flutua, atravessando o salão. Às costas do time de bartenders, garrafas iguais, sem rótulo e com líquido transparente dentro (será que estamos sonhando?). Não, é quase real. Estamos no SubAstor.

Sou amiga dos meninos da Cia. Tradicional de Comércio, nomão que eles dão para o guarda-chuva repleto de casas bacanas embaixo: Astor, Pirajá, Original, Bráz, Quintal do Bráz e Lanchonete da Cidade. Há uns dez anos eles me convidaram para um festival de pastéis no recém-aberto bar Original. Espertos que são, mal chegavam ao mercado e reuniam (para fazer pastel!) um timaço. Estavam lá a saudosa Wilma Kövesi, Bassoleil, Carlos Siffert, Edinho Engel, Sergio Arno, Alex Atala e se bobear ainda estou esquecendo alguém. Ali começava uma relação de admiração mútua, mesmo eu os encontrando tão pouco ao longo desses anos.

É um fato que de tempos em tempos eles conseguem botar inovação no mercado, quando parece que já se fez de tudo, e o fazem com muita qualidade – comida, bebida e ambientes de tirar o chapéu. Esse SubAstor, com um quê de speakeasy novaiorquino e um clima cabaré-rock’n’roll, confirma a trajetória do grupo. Outro querido, o competentíssimo arquiteto e cenógrafo Felippe Crescenti assina o projeto, que consegue transportar você para outro mundo sem ser fake. É confortável ficar lá, refastelada numa poltrona, bebericando drinques em taça Y e curtindo a música. Experimentei um que levava chá Earl Grey e biquei do pessoal que estava comigo outros – maracujá, manjericão, limão siciliano e outros perfumes. E álcool, muito álcool. Sugiro uma aguinha para refrescar as papilas de vez em quando. Tomei nota do meu preferido, chama-se Gipsy Martini, tem poire – aquela aguardente de pêra – na fórmula, e uvas também. Deliciosa mistura. As comidinhas também são ótimas. Lembro-me (um tanto vagamente, rsrs, desculpe, são os martinis) de um salmão curado na beterraba e de um tartare de lagostin. O som, a companhia agradável do Edgard, tudo o que chegava à mesa e a magia daquele cenário me proporcionaram uma noite sublime.

Parabéns, meninos. Vocês arrasaram, de novo.

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8 Responses to “Um sonho movido a álcool”

  1. Bia Malfatti Says:

    Hummm que dica gostosa. São Paulo é gigante e as opções são muitas!! Nada como um toque feminino para descrever um bom lugar pra se frequentar!!!
    Adorei!
    bjo

  2. Edgard Says:

    Isso não é um elogio, é uma Benção… Querida Carla, muito obrigado pela energia positiva que Você emana em tudo o que faz. Beijão, Edgard.

  3. Alexandra Forbes Says:

    Carla querida, que delícia esse teu texto. Só me fez ficar com mais saudade de Sao Paulo e vontade de tomar uma ou três no Sub Astor. E eu, que nem sabia que você andava blogando, hein?! bjos, A.

  4. carla Says:

    Bia,Vai,que é demais.
    abs,
    Carla

  5. carla Says:

    Edgardddddddd!
    Fiquei sinceramente apaixonada pelo projeto e realização,numa boa,vcs são meus ídolos!
    bejão

  6. Joaquim Says:

    Carla ,tudo que os “meninos “fazem é bem feito e de muito bom gosto ,o que me impressionou foi o dry clássico ,é o tipo de drink que ou levanta a casa ou a mergulha nas profundezas do inferno,no caso ,fui direto para o céu.A comida é maravilhosa,pequenas porções de delícias .S.Paulo é uma maravilha e vc. é uma legítima representante da boa comida paulista, adoro suas invenções.

  7. carla Says:

    Alexandra!
    Vem e vamos no Astor juntas,blogando desde julho de 2008,já estou fazendo uma ano,rscrsc,começando a caminhar sozinha.
    bjs

  8. carla Says:

    Joaquim,
    Adorei o Sub,e fico torcendo muito pelo sucesso desta turma que sabe o que faz!Não que precise….
    abs,
    e saúde!

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