Alma gemela

Muito se fala no ‘feito um para o outro’ e no ‘amor à primeira vista’ nos relacionamentos pessoais, mas tenho certeza de que esse tipo de conexão acontece também no aspecto profissional.

Conheci outro dia, num evento do Paladar, a chef argentina Dolli Irigoyen e me identifiquei muitíssimo com ela e com seu trabalho. Apesar de ser quase impossível resumir toda a energia dessa mulher, vou tentar apresentar a Dolli, uma das chefs mais reconhecidas na Argentina, com trajetória nacional e internacional.

Seu estilo próprio de interpretar a gastronomia do mundo a levou a outros espaços, fora da cozinha e da Argentina. Ela é professora universitária, jurada de festivais e concursos no mundo todo, membro da Academia Culinária da França, consultora do canal de TV latino-americano elGourmet.com, blogueira e proprietária do Espacio Dolli, em Buenos Aires, onde desenvolve novas propostas gastronômicas ao lado de jovens e talentosos chefs.

Passamos momentos muito legais juntas aqui em São Paulo. Fomos ao Santa Luzia, visitamos o Mercadão e conversamos muito. Sobre tudo: internet (ela está no MySpace, Facebook, YouTube), livros (a série de 8 livros + DVD ‘Dolli Irigoyen en su cocina’ já vendeu mais de 80 mil exemplares) e, claro, sobre aquilo de que mais gostamos – cozinhar. Olhem a Dolli em ação nesse vídeo promocional:

Sendo eu uma gaúcha e a Dolli uma gaucha – que é como os argentinos denominam os camponeses da pampa -, sabemos bem que, como acontece com o futebol, brasileiros e argentinos também compartilham uma enorme paixão no quesito carne. Apesar de encararem o ritual de forma bem distinta.

Churrasco é uma coisa e parrilla argentina é outra: eles, por exemplo, não usam o espeto, e os cortes das carnes são diferentes (apesar de que algumas das nossas churrascarias já estão incorporando o bife de chorizo e o asado de tira). Mas talvez o que mais chame a atenção nos argentinos quando se dispõem a participar de um típico churrasco de final de semana brasileiro é o tempo que nós gastamos. É difícil, para eles, entender como passamos quase o dia inteiro entre linguicinhas, pão de alho, picanha, farofa, coração de galinha, vinagrete, frango, alho no azeite, cebola e batata-doce na brasa e por aí vai…

O argentino é mais enxuto: o assado é festivo, mas serve como uma refeição. Ou se almoça ou se janta. E, além da carne especial que eles têm e do sal, a única coisa permitida é o pão e o chimichurri – um molho à base de azeite, ervas y otras cositas más. Será que você se aventura a incluir mais esse componente no seu longo churrasquinho?

A receita, retitrada do livro “Carlota, Balaio de Sabores”, é para 6 porções:

3 colheres (sopa) de folhas de salsinha fresca picadas

3 colheres (sopa) de folhas de tomilho fresco picadas

1 colher (sopa) de orégano seco

3 colheres (sopa) de folhas de manjericão fresco picadas

½ colher (sopa) de pimenta-calabresa argentina (ají molido), sem semente, bem picada

1 colher (sopa) de pimenta-do-reino, moída na hora

1 colher (sopa) de sal

1 colher (sopa) de coloral

1 lata de azeite

200 ml de vinagre de arroz

Depois de tudo bem picado, misture as especiarias, o vinagre e os temperos, junte o azeite e misture bem. Eis um chimichurri!

Já a Dolli dá uma receita bem tradicional do molho, no capítulo Infaltable en la mesa do volume 5 (Día de Campo) da série ‘Dolli Irigoyen en su cocina’.

1 maço de salsinha

2 dentes de alho

2 colheres (sopa) de ají molido

1 ramo de tomilho

2 colheres (sopa) de óregano seco ou fresco

1 colher (sopa) de pimenta em grão

1 colher (sopa) de sal grosso

1 xícara de água

3 colheres (sopa) de vinagre de vinho tinto

1 xícara de azeite de oliva

Pique a salsinha e o alho, junte em um recipiente com o ají molido, o tomilho, o orégano e a pimenta moída na hora. Prepare uma salmoura, dissolvendo o sal grosso na água quente. Deixe ficar morna e jogue sobre as ervas. Junte o vinagre e o azeite e misture bem.

Buen provecho!

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4 Responses to “Alma gemela”

  1. Daniela Says:

    Oi Carla,
    li seu texto no livro do projeto ecofuturo e o que levou-me ao site foi descobrir o nome do seu restaurante.
    Não há nada que deixe mais saudade do que comida de avó.
    A minha chamava-se Carlota, era uma pessoa rara e faz muita falta.
    Parabéns por todo o seu sucesso!

    Daniela

  2. carla Says:

    Oi Daniela,
    Td bem?
    Avós são seres prá lá de especiais,as minhas duas eram sensacionais,mandavam muito bem na cozinha,Nair,a paterna uma uruguaia,e a Nelly,uma gaúcha de sangue italiano,com quem me identifico e convivi muito mais, que me deixam morrendo de saudades.
    abs,
    Carla

  3. lucia Says:

    Olá Carla, adorei o post , vou fazer os dois molhos e depois te conto.

    Vou para Buenos Aires em outubro, será que consigi ir ao espaco da chef ou é um espaco fechado?

    abraco
    lucia sequerra

  4. carla Says:

    O Espaço da Dolli é fechado.
    Visita o Pobre Luiz,do Luiz Acuña é ótimo!
    bj
    Carla

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