Próxima parada: Lima!

Se aqui no Brasil a história da imigração japonesa começou com o Kasato Maru, que em 1908 transportou o primeiro grupo de famílias do Japão para o porto de Santos, foi outro barco, o Sakura Maru, o responsável por levar quase 800 pioneiros japoneses para o Peru, em 1899.

Assim como aconteceu no interior de São Paulo, os japoneses foram contratados para um trabalho árduo nas fazendas da costa central do Peru. A influência dos nikkei (imigrantes e descendentes japoneses que vivem fora do Japão) na cultura criolla peruana começou a ser sentida com o fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota dos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), quando eles foram perseguidos e obrigados a se misturar aos locais, principalmente em Lima.

O sincretismo aconteceu inclusive na gastronomia e nas últimas décadas tem tido uma influência muito grande num prato tipicamente peruano, conhecido no mundo todo: o ceviche – um marinado feito basicamente com peixe, limão, cebola roxa e pimenta.

Não é muito difícil imaginar o porquê: com 2.500 quilômetros de costa no Pacífico, o Peru tem à disposição uma incrível oferta de peixes de primeira qualidade – assim como no Japão. As habilidosas mãos japonesas logo introduziram o estilo sashimi de cortar o peixe, a utilização de várias espécies de pescados e mariscos e a cuidadosa apresentação. Surgiu assim a base da comida nikkei peruano-japonesa, que resultou em pratos inovadores e se popularizou rapidamente na capital do país.

“La Buena Muerte” é um dos restaurantes precursores dessa comida. No livro “Rutas y Sabores del Cebiche”, Mariano Valderrama conta que lá se servia um cebiche a la nipona, em que o peixe aparecia quase cru. Mas o melhor exemplo da influência japonesa na comida peruana é o tiradito, que é muito parecido com o ceviche, mas tem um corte de peixe mais ao estilo japonês, leva aipo e não tem cebola.

Estou contando as horas para provar algumas variações de ceviche (inclusive o tiradito) e me sentir um pouco como os nikkeis, mesclando minhas experiências com as dos peruanos. No domingo, viajo para Lima a convite dos chefs Miguel Hernandez e Coque Ossio. De 27 a 29 de agosto, eu, a Carol Brandão e o Carlos Siffert (CCC, sempre!) faremos jantares especiais, com ingredientes típicos do Peru e do Brasil, no restaurante “Gambas”, do Miguel. Esperem pelos próximos posts com novidades de lá!

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6 Responses to “Próxima parada: Lima!”

  1. Daniel Magalhães Says:

    Carla,

    Uma dúvida: por que o Carlota do Rio não abre para almoço? Em tempo, existem aulas de Ceviche no Youtube. Muito interessantes, por sinal.

    Um abraço.

  2. carla Says:

    Oi Daniel,
    O restaurante do RJ só tem 70 metros quadrados,durante a semana precisamos receber os fornecedores durante o dia,e como não conseguimos que respeitem um horário de entrega,missão impossível e comprovada,optamos por abrir somente o jantar e para almoço nos feriados e finais de semana.
    Mas estamos estudando na possibilidade de abrir no Rio em outro local ,com metragem semelhante ao Restaurante/matriz de Sp e assim poder receber os clientes tb no horário do almoço durante os dias de semana.
    abs,
    C.

  3. victor Says:

    Meu tio foi o fundador da Buena Muerte, ate agora lembro dos cebiches que ele fazia!!!!!!

  4. carlota Says:

    Oi Victor,
    E vc guardou alguma receita secreta do Tio?caso positivo,manda que publicamos!
    abs,
    Carla

  5. victor Says:

    Eu tinha 14 anos a ultima vez q comi o cebiche do tio Minoru.
    Depois q vim pro japao e ele faleceu.
    Pra mim o que nw pode faltar no cebiche e alho e salsao bem picado (antigamente se colocava).

  6. carlota Says:

    O salsão vai quase sempre,o alho, as vezes,pelo menos nos locais que estive em Lima.
    abs,
    C.

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