Sabonete biodegradável limpa a consciência?

Sabonete

Invariavelmente dedico muitas linhas deste espaço ao consumo ético e ao comércio justo. Mas desta vez fui pega de surpresa – e gostei – por um artigo que criticava, ou melhor, destacava um olhar diferente e original (eu, pelo menos, nunca tinha pensado nisso dessa forma) sobre esses temas.

O ensaio de Anand Giridharadas, traduzido pela Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes), saiu originalmente no The New York Times. O escritor norte-americano, filho de indianos, acalenta a discussão sobre se esse consumo chamado de consciente é uma nova forma de cidadania ou um sinal de como ela anda desgastada. Ele dá como exemplo o dinheiro a mais que os ricos ocidentais se dispõem a gastar para ter um sapato de lã biodegradável, ter créditos de carbono, comer frutas orgânicas ou andar por aí com um iPod cujo valor foi, em parte, usado para combater a Aids na África. Olha só as outras marcas que participaram da campanha Red:

Alguns críticos dizem que a politização do consumo distorce os preços e gera ações arbitrárias, como a que obriga agricultores pobres a matricularem os filhos na escola para que seus produtos sejam considerados éticos. Mas a crítica que mais me fez pensar foi a de que esse tipo de ação tem potencial para reduzir a cidadania ao exercício virtual e distante da compra diferenciada e acabar, assim, substituindo a participação verdadeira nas discussões sociais e políticas (como votar ou protestar publicamente).

Será que o consumo ético é um jeito de humanizar o mercado, nos pergunta o ensaísta, ou somente um jeito de tornar a política suportável, transformando-a em consumo? Talvez uma mistura de consumo consciente (já que a sociedade é capitalista, baseada no consumo) e participação política mais ativa fosse o cenário mais perto do ideal, mas, como o artigo do Giridharadas indica, no mundo tão complexo de hoje, às vezes a fronteira entre o certo e o errado, o consciente e o inconsciente, é mais indefinida do que parece.

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6 Responses to “Sabonete biodegradável limpa a consciência?”

  1. otavio novo Says:

    Indico o meu blog – http://www.consumolivre.blogspot.com.

    Acho que tem muito a ver com o conteúdo do seu blog.

    Parabéns! Acompanho sempre e gosto muito.

    Abraços!

    Otavio Novo
    Consumo Livre – Negócios Fechados Por Mentes Abertas!

  2. Rubens Costa Says:

    Carla,
    Boa noite!
    Certamente você já ouviu a expressão: “Um homem deve ser medido pelo que sai da sua boca, não pelo que entra”.
    Um abraço,
    Rubens Costa

  3. Larissa Says:

    Concordo. Hoje não existem cidadãos, apenas consumidores interessados em ora exigir seus direitos de “compradores” (o que é confortável, porque o único dever nessa relação é o pagamento $$ da dívida) ora em fingir que são “politicamente ativos” através de mercadorias que usam essa máscara muito atraente, mas quase vazia.

    Espero (muito!) que isso mude.

  4. carlota Says:

    Otavio,
    Obrigado pelo comentário.
    Volte sempre,vou adicionar o seu Blog nos meus favoritos.
    abs,
    C.

  5. Claudia Galli Says:

    Oi Carla, adorei conhecer seu blog, cheguei até ele pois sou cozinheira de fim de semana. Essa discussão é realmente muito fértil. Ás vezes me pergunto: será que as pessoas que compram produtos “ecolgica/ambientalmente” corretos reciclam seus lixos. Uma grande parte não, porque reciclar dá trabalho mas escolher “produtos verdes” não, dá trabalho apenas para quem os faz. Uma pena. Um dia, seremos realmente ambientalmente corretos. Por ora, apenas usamos estes produtos para paracermos “cool”… um bjo para vc.

  6. carlota Says:

    Alguma hora isto muda,que tal começar na cozinha da casa da gente!
    Eu mesma,separo e pago semanalmente para que retirem o lixo reciclável do Carlota,pode????POis é verdade.
    Vamos tentando que um dia chegaremos lá!
    abs conscientes,
    Carla

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